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Written by Marcelo Gomes   
Thursday, 11 April 2013
Estava assistindo agora o último episódio da temporada do seriado "The New Normal" ("O Novo Normal", em português). No final, um padre abençoa a união dos dois noivos, que já tem um filho,  com uma frase excelente: "Pelo poder a mim investido, eu os declaro UMA FA MÍLIA". Além do encerramento memorável, também tive vários insights durante o capítulo, que estavam martelando em minha cabeça desde que pisamos de novo em Florianópolis.

Acabamos de voltar, eu e meu noivo, de viagem para ir a um casamento na minha (nossa!) família. Foi especialmente lindo, devido a vários fatores. O longo tempo de namoro dos dois, que permitiu nascer uma união espiritual e madura. A luta da noiva, que chegou para casar-se de cadeira de rodas e muletas devido a um acidente semanas antes da cerimônia. Reencontrar a família depois de alguns anos longe, e ver que ela aumentou bastante... Entre outras coisas muito legais, foi um casamento que vai ficar na memória.

Entretanto, durante o final de semana aconteceram mais algumas coisas que me deixaram absolutamente extasiado. Foi bom demais, ver minhas sobrinhas chamando meu noivo de "tio". Isso sem, falar no sobrinho mais velho,  que era o mais terrível - no que diz respeito a ser diferente quando ainda éramos adolescentes - sendo o primeiro a dizer ao Erick "bem-vindo à família", de uma forma tão espontânea e natural, que me deixou sem palavras. Quando ele postou a foto da filha recém-nascida - minha quinta sobrinha neta - e deixou a legenda "Com os Tios Erick e Marcelo"... Fiquei muito emocionado. Ninguém percebeu, mas eu corri para o banheiro com o tablet e chorei por uns 20 minutos! Não é todo dia que isso acontece, pode apostar! Também adorei quando contei sobre minha futura união para as minhas primas de São Paulo, que embora sejam mulheres modernas, ainda carregam o tradicionalismo da família de origem mineira, a reação também me pegou de surpresa: "Eu quero ir ao casamento! Me convidem!" (Desculpe, Erick, mas acho que aquela minha ideia de listinha de 20 convidados vai aumentar uns 200%...)

E no resumo da ópera... NADA do que eu tinha medo, aconteceu. NADA da usual rejeição que estamos acostumados a esperar, principalmente os que nasceram lá nos antigos anos 70, 60, 50... Nada aconteceu. Muito pelo contrário. Fomos apresentados como namorados, noivos, maridos, para heteros e gays, para amigos e família, de uma forma que está me fazendo repensar muitos pressupostos arraigados. Talvez parte do problema estivesse em mim e não nos outros. Mas mesmo assim, é inegável assumir que algo mudou.

Obrigado, a TODO mundo que tem lutado nas ruas, no plenário, nos livros, na TV, na cultura e nos movimentos deste país e até do mundo... Eu achava que não era importante, ser aceito ou não, depois que eu me aceitei... Mas eu estava errado.  

E obrigado também a todos vocês, da minha família e de TODAS as famílias, que têm deixado as versões clássicas de lado e tem aberto suas cabeças para novos modos de viver, pensar e amar.

SER ACEITO É A COISA MAIS ESPECIAL DO MUNDO! :-)


Marcelo Gomes, 37 anos, é Designer Gráfico, paranaense, que hoje mora em Floripa com seu noivo
Last Updated ( Thursday, 11 April 2013 )
 
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