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A Era de Ouro da Negação PDF Print E-mail
Written by Christopher Harrity   
Friday, 27 July 2012
 A Era de Ouro da Negação

(Para melhor visualizar, clique nas imagens)

Às vezes, não possuir qualquer conhecimento sobre uma determinada cultura pode ser uma vantagem, ajudando a visualizar realidades que possam ser tímidas ao se seguir o que é sugerido originalmente. Para as pessoas que cresceram com uma estória cristã, pode ser difícil enxergar mais além. Porém, para os que foram criados de forma pagã, estas obras de arte com profundidade emocional muitas vezes transmitem mensagens confusas.

A Ressureição da Carne - detalhe; Luca SignorelliOs deuses gregos e romanos tinham uma forte natureza sexual que frequentemente comandava a direção de suas estórias e ações. Suas belezas e proezas físicas faziam parte de seus mitos. No entanto, a representação visual central da cristandade – um homem seminu empalado em uma cruz – é negada em toda sensualidade e masculinidade no ensino cristão. O foco está na redenção, no sacrifício e na renúncia.  

Por que então, há tantas representações visuais de Cristo que são fortemente sensuais e detalhadas de forma corporal e sexual?
Antes de explorar a abundância de representações homoeróticas de eventos religiosos, que teve seu auge durante os períodos da renascença e do barroco, é importante observar os motivos da apresentação de corpos masculinos como sendo considerados nas últimas décadas como homoeróticas ao invés de puramente eróticas.

 O conceito de arte homoerótica parece ter base em uma desagradável porção de misoginia. Homens musculosos nus e jovens de pele clara sendo objetos da arte eram aceitáveis desde que estivessem a serviço da religião, de forma mitológica ou alegórica. Deveria haver uma mensagem moral, porém frágil, ligada à obra. Honra, força física em uma batalha e sacrifício eram temas nobres que eram usados para justificar a representação de algumas coisas bem quentes.

 Para termos mais clareza, a arte foi criada por homens, para ser apreciada e financiada por homens e para o engrandecimento das almas dos homens. Assim, qualquer representação de um homem nu na arte era entendida como sendo parte deste sistema fechado – então, haveria de ser uma boa razão moral para ter-se aqueles flancos musculosos e peitorais trabalhados. Presume-se que as mulheres deveriam ser orientadas a desviar os olhos e evitar as artes sacras mais carnais.

Se o mestre da casa ou o padre local tivessem um momento de êxtase, ou de perder o fôlego diante de uma representação particular do flagelo de Cristo, por exemplo, aquele sentimento de tremor no estomago, ou talvez um pouco mais abaixo, poderia seguramente ser considerado como um fervor e paixão pela religião.

Assim sendo, apresentamos aqui uma série de exemplos extraordinários de imagens bíblicas (que podem não ser bem vistas se você estiver no seu local de trabalho) para que você possa julgar. Tente olhar essas imagens como se não tivesse conhecimento prévio das histórias que elas ilustram. Observe onde seus olhos logo se dirigem. Veja se você consegue discernir se está tendo um sentimento espiritual sublime ou algo mais biológico.

 São Sebastião: O santo gay
São Sebastião lidera a série como a figura cristã mais erotizadas através dos séculos. Ele foi um soldado romano que secretamente convertia outros soldados ao cristianismo. O imperador romano Diocleciano ordenou que ele fosse morto por flechadas por causa de sua traição. Versões mais antigas de São Sebastião o mostram como um homem maduro e barbado, mas com a proximidade do período renascentista ele se tornou mais jovem, mais pálido e mais bonito nas ilustrações.

Como ele se tornou o santo gay? Bem, artistas como Yukio Mishima, Thomas Mann e Tenesse Williams certamente ajudaram. Oscar Wilde usou o nome de Sebastião como pseudônimo quando se exilou na França. Porém, antes de artistas mais modernos cruzarem seus caminhos com o santo, ele foi imortalizado em pele branca, quase translúcida, amarrado a uma árvore em sinal de rendição plena, cercado por homens morenos e musculosos e envolto por várias flechas vestindo o mais frágil pedaço de pano, delicadamente cobrindo suas partes íntimas.
Na imagem, o artista Agnolo Bronzino (1533) retrata um São Sebastião que parece não se importar com a flecha transpassada em suas costelas.

O São Sebastião do artista El Greco (1577) tem um olhar surpreendentemente contemporâneo e um corpo voluptuoso.


Completamente entregue: São Sebastião por Nicolas Regnier, século 17.


Peter Paul Rubens foi um dos poucos a pintar São Sebastião com sangue no corpo. Detalhe para o destaque da virílha.



O Sebastião de Carlo Saraceni (1610) parece ter apenas uma flecha em um ponto bastante curioso.


Pálido e adorável: São Sebastião se curva diante de seu martírio - Sir Anthony Van Dyke (1520).


O Martírio de São Sebastião por Luca Signorelli e o destaque para as nádegas dos soldados, assim como as posições dos arcos e flechas que são empunhados.

David, Golias e Jonatas
 A estátua de Davi, de Michelangelo, é talvez uma das mais conhecidas obras de arte no mundo. Esta é uma das muitas obras que retratam a perfeição do corpo masculino. Assim como São Sebastião, a glorificação do corpo masculino se tornou mais importante do que se ater aos detalhes da historia. Enquanto Sebastião se torna uma figura simbólica como um “soldado com um segredo”, Davi é um símbolo do garoto derrotando o valentão.

Há ainda todo o caso de Davi com Jonatas

 Depois que Davi matou Golias, ele foi levado até o rei Saul, ainda carregando a grande cabeça do gigante como se fosse uma bolsa de mão. O filho do rei Saul, Jonatas, ao primeiro olhar fica enlouquecido com Davi. Jonatas se despe e oferece a Davi suas roupas, sua armadura, seu cinturão e sua espada. Então, eles formam uma “aliança”. Tudo bem. O papai Saul ficou meio ansioso com tudo isso e tentou matar Davi várias vezes. Jonatas se preocupa com o caso e manda o jovem Davi para um esconderijo para sua segurança. Depois volta para discutir o assunto e defender sua posição. Saul diz: “Filho de uma mulher perversa e rebelde!” O que certamente remete a uma expressão bem conhecida nos dias de hoje. Jonatas passa por um mal estar estomacal e finalmente retorna ao encontro de Davi quando então, eles têm uma despedida dolorosa. Jonatas acaba sendo morto com seus irmãos e o rei Saul se suicida. Davi então diz: “Seu amor por mim foi mais maravilhoso do que o amor de mulheres.” Deve ter sido uma grande aliança.

Quando Oscar Wilde usou a frase "o amor que não ousa dizer seu nome" durante seu processo judicial, ele estava se referindo a Davi e Jonatas.

O Flagelo de Cristo
O Flagelo de Cristo, também conhecido como Açoite no Pilar, é uma cena da Paixão de Cristo. É a quarta estação da versão moderna das Estações do Calvário e Mistério Doloroso do Rosário. A cena acontece antes da crucificação.

Esqueça tudo agora e veja com outro olhar o terna da rendição de Cristo nestas imagens. Há uma delicadeza quase feminina, principalmente quando comparada com seus algozes mus culosos e muitas vezes nus. Tradicionalmente a cena sempre foi representada com três figuras, mas  à medida que nos aproximamos do período renascentista, mais figuras aparecem, às vezes chegam a seis e até mesmo aparecem Pôncio Pilatos e Herodes. Quando chegamos aos tempos Eduardianos (1900 - 1910) e pré-Rafaelitas (1848), a cena é claramente lasciva.

Este é um material difícil de se observar com distância cultural, e sem  desrespeito ao cristianismo para o qual ele se destina. Mas se a história cristã pudesse ser separada das imagens, o que resta é uma cena decadente de sadomasoquismo com os ativos brutais prazerosamente realizando sua tarefa, os braços agitados e as nádegas contraídas. Cristo está rendido e vulnerável e, é claro, beatífico. O que devemos sentir quando olhamos para isso? Culpa? Se a res posta for positiva, porque os corpos foram tão finamente trabalhados e cheios de paixão? Devemos nos identificar com a figura de Cristo e sentir a transcendência enquanto as endorfinas entram em ação?

Ao pensar que estas pinturas estavam muitas vezes expostas nas igrejas, vistas diariamente durante as missas, parece ser um pouco perverso. É difícil imaginar alguém ficar impassível, enquanto estes enormes dramas em corpos nus em meio à chicotadas estão ali pendurados decorando as paredes.


A obra de Guercino (1658) dispensa um pouco da nudez, mas acentua a degradação, com direito a puxão de cabelo pelos másculos algozes torturadores
.


A versão de Peter Paul Rubens de O Flagelo de Cristo (1617), retrata os algozes quase como que loucos de alegria.



A Ressureição da Carne
 Para encerrar essa orgia pornografica Bíblica, temos a obra A Ressurreição da Carne, de Luca Signorelli. Poucos artistas abordaram este tema. As descrições da ressurreição são ambíguas e etéreas. Signorelli não deixou isto impedi-lo de ter um mural com todo seu estilo com nádegas à mostra. Na Capella Nova na catedral de Orvieto, Itália, Signorelli fez uma série de afrescos que ilustram o fim do mundo, que inclui, obviamente, uma grande quantidade de nudez masculina. E sua Ressurreição da Carne é a coroação de sua glória.

 São Paulo escreve: "Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados - num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Assim, o que é corruptível se revista de incorruptibilidade, e o que é mortal se revista de imortalidade ".

Então o negócio é o seguinte: mesmo uma alma imortal precisa de um corpo imortal. E é melhor que seja muito bom. Não são aceitas crianças ou idosos. Na verdade, todos terão cerca de 33 anos de idade e másculos. Na sua maioria rapazes. Desafiamos você a não olhar para as bundas dos imortais. E parece que não terá uma grande quantidade de abraços nus. Talvez haja mesmo alguma coisa a mais em todo este material cristão.
Last Updated ( Wednesday, 08 August 2012 )
 
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