Passada a 4ª Parada da Diversidade de Florianópolis, vale fazer um breve balanço do que trouxe o evento para a cidade. O Aqui Rola saiu a campo e em breves bate papos com empresários e particulares dá uma geral na Parada. Entre festas, movimento intenso em bares e restaurantes, aprovação de lei anti-discriminação, alguns ganhos puderam ser notados na cidade. Não só em termos comerciais, a cidade teve uma semana agitada culturalmente e com maior visibilidade para a comunidade LGBT.
A grande estrela da Semana da Diversidade de Florianópolis foi a aprovação da lei municipal anti discriminatória. Colocado em votação, estrategicamente às vésperas da Parada, durante a Semana da Diversidade, o projeto de lei, defendido pelo vereador Tiago Silva (PPS), teve unanimidade em sua aprovação. Segundo o vereador “a parada e a semana da diversidade, serviram para pressionar os vereadores pela aprovação da lei.” Tiago Silva acredita que esta foi a primeira de outras leis, em favor da comunidade LGBT, que podem ser colocadas em pauta e aprovadas em outras ocasiões. A Semana da Diversidade é uma forma de mostrar a cara e reivindicar e não apenas uma semana de muita festa. Certamente o vereador tem razão ao creditar o apoio dado pela semana que teve grande enfoque em toda a mídia e deu mais uma força para a aprovação da lei.
Durante toda a Semana da Diversidade, poucos puderam reclamar comercialmente, se é que há alguma coisa para se reclamar. Em vésperas de feriado nacional e com a agitação LGBT na cidade muita gente fez as malas com destino certo. É o caso do engenheiro Marcos (30) e seu namorado, o analista de sistemas Edson (36), que se hospedaram em uma pousada na costa leste da ilha. O casal aproveitou que teriam um dia a mais de folga, pois vivem em Curitiba, onde é feriado também no dia 8 de setembro, e pegaram a estrada. Segundo os dois, pela primeira vez em Florianópolis para a Parada, tem intenção de retornar no próximo ano. “Valeu muito a pena. Gostamos muito da cidade e com dois feriados para nós e ainda a Parada de Floripa, não poderíamos perder a chance de vir”, comenta Marcos. “A Parada de Floripa foi uma boa surpresa para nós. Tínhamos outra visão. Achamos bem organizada, divertida e tranqüila. Não imaginávamos que vinha tanta gente”, acrescenta Edson.
Em se tratando de diversões noturnas e de lazer, além de shows e mostras culturais com cinema e exposição fotográfica, os caixas dos estabelecimentos viram a bilheteria crescer bastante. “Tudo bem que tínhamos o feriado, e esperávamos um publico maior que o de costume, mas a parada somou muito.” Comenta o empresário Rogério cordeiro, sócio da maior boate LGBT da cidade (Concorde Club). “Acho que se deveria chamar à responsabilidade outros estabelecimentos como hotéis, bares e restaurantes que também acabam lucrando mais com a parada. Nós temos colaborado desde a primeira parada e acho que mais gente poderia se unir na organização... Não consigo imaginar a hipótese de não participar em outros anos” declara o empresário. A boate que abriu as portas três noites consecutivas esteve lotada em todas elas, diferente de outros finais de semana quando abre apenas aos sábados. “Não sei se no próximo feriado faremos o mesmo” diz Rogério, que apostou na união do feriado com a parada.
Em se tratando de lotação, a casa noturna LGBT mais antiga de Florianópolis (Mix Café Club), também acreditou no sucesso da semana e de seus dois dias normais e ampliou para cinco os dias de festas temáticas. Além de também colocar o seu trio elétrico na rua, ajudando a arrastar a multidão, a casa trouxe atrações para públicos variados com noites dedicadas ao público feminino, aos amantes do funk, aos shows de drags e a sensualidade, tudo temperado com muita animação do público que encheu a pista de dança todas as noites de quinta a segunda, ininterruptamente.
Nem mesmo redutos tipicamente heteros deixaram de lado a semana e se uniram para participar – e lucrar – com o público LGBT. Uma das maiores casas noturnas (não gay) uniu-se com uma Label party paulistana e fez uma noite eclética e divertida, bares que sempre reúnem uma clientela variada e descolada tiveram grande procura, abrindo com sucesso em dia que normalmente estão fechados.
Para aquele relax merecido e repor as energias de tanta agitação teve ainda a opção de saunas e vídeo clubes. Segundo o empresário João Moacir Marques, a parada proporcionou um aumento da clientela que ao deixarem o local do evento se dirigia para a casa que proporcionava uma festa temática. Apesar de maior movimento em seu estabelecimento, João acredita que a divulgação poderia ter sido um pouco maior e com inserções nas redes de televisão, além de publicidade em outras cidades. Em uma das saunas da cidade (Hangar), o sábado foi oportuno para a programação de uma festa temática. Habituados a este tipo de festa na sauna, programaram uma estrategicamente para a véspera da parada. Pode-se observar grande movimento também ali, acima do costumeiro. Já em outra sauna (Oceano) a gerência da casa informou que os dias na semana da parada foram de movimento normal, porém no domingo viu um aumento de cerca de 50% acima do habitual.
Por todos os lados era claro que comercialmente muitos estavam faturando acima do normal para a época. Bares que não costumam abrir suas portas aos domingos viram seus espaços lotarem, hotéis e pousadas receberam mais hóspedes, restaurantes produziram e lucraram mais. O saldo comercial parece ter sido bastante positivo, ganhou-se uma lei municipal contra a discriminação, um público ávido por diversão teve muitas opções. Acima de tudo a comunidade LGBT teve sua semana especial mostrando que está nas ruas, nos bares e por todos os lados, não só durante uma breve semana, mas o ano inteiro. Cabe a todos fazer sua parte e realmente levar a sério o tema da parada de 2009 (“Eu Aceito, Eu Respeito”). Além de fortes e potenciais consumidores, são todos cidadãos para serem aceitos e respeitados acima de qualquer opinião ou orientação.