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Parada da Civilidade
Por Roney G. Pereira   
07 de setembro de 2009
Ampliar A Semana da Diversidade de Florianópolis encerrou na tarde de domingo, 06 de setembro com a 4ª Parada da Diversidade. Não foi apenas uma semana marcada por manifestações, apresentações culturais e uma multidão que lotou a Avenida Beira Mar. A semana que teve sua abertura na terça-feira (01/09), estendendo-se até o dia 06 de setembro, apresentou shows, mostra de filmes temáticos e um ótimo debate, trouxe à tona a discussão dos direitos civis no tocante aos chamados LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) e a assinatura de lei municipal punindo atos de discriminação.

 A Semana da Diversidade deste ano foi marcada pela conquista da aprovação de uma lei municipal que pune atos de discriminação. O projeto de lei defendido pelo vereador Tiago Silva, estabelece, em seu Ampliarartigo 1º, que “a cidade de Florianópolis,  por sua administração direta e indireta, reconhece o respeito à igual dignidade da pessoa humana em todos os seus direitos, devendo para tanto promover sua integração e reprimir os atos atentatórios a esta dignidade, especialmente toda forma de discriminação fundada na orientação, práticas, manifestação, identidade e preferências sexuais exercidas dentro dos limites da liberdade de cada um e sem prejuízos a terceiros”. Sua aprovação por unanimidade, e assinada pelo prefeito Dário Berger, prevê advertência, multas de 150 e 450 UFIR, rescisão de contrato, convênio, acordo ou qualquer modalidade de compromisso celebrado com a administração pública direta ou indireta, suspensão da licença municipal para funcionamento por 30 dias e cassação definitiva da licença municipal para funcionamento.

A conquista da assinatura da lei municipal foi mais um motivo para celebração durante a Parada da Diversidade. O deputado estadual SérgioAmpliar Grando (que também já foi prefeito da cidade), em discurso durante a abertura da parada, também se mostrou apoiador da causa. “Vamos levar esta bandeira da lei também para a Assembléia, para que em breve a Homofobia seja criminalizada também no estado de Santa Catarina”, disse o deputado.

 Nem a chuva que veio rápida diminuiu o brilho e a animação da festa. Logo no início do grande evento, o tempo que não era dos melhores, trouxe uma chuva forte e rápida que espantou muitos que procuravam um abrigo. Após alguns discursos breves de políticos, representantes de classes e do jornalista Jean Wyllys, que foi Ampliarrápido e preciso, tinha início a 4ª Parada da Diversidade de Florianópolis.  Bastou a água que caía dar uma trégua, e os cinco carros que faziam parte da parada, rapidamente voltarem a ligar seus potentes sons que aqueles que fugiram da chuva retornaram e caíram na dança.

 O que se viu mais uma vez, como nas edições anteriores, foi muita animação, protestos bem humorados e um mar de gente que não parava de dançar e cantar. Já no primeiro trio-elétrico, ao som de “Ilariê” (sucesso de Xuxa) todos cantavam e pulavam extravasando e se esquentando, espantado o frio. Muitas famílias inteiras, casais de namorados heteros e gays, divertidas drags caricatas, senhoras com seus cabelos brancos, pessoas portadoras de deficiências, e uma variedade de tipos, se divertiam ao longo do trecho percorrido do bar Koxixos até o trapiche da avenida. AmpliarTodos se reuniam ali em uma manifestação pacífica e ordenada. A coordenação do percurso, feita pela organização da parada, do alto dos carros, não deixava que houvesse trechos vazios, compactando uma massa única de gente. Do alto dos prédios viam-se muitas pessoas também acompanhando e se divertindo nas sacadas dos apartamentos com a passagem da multidão.

Enquanto os carros de som passavam na avenida, no palco montado junto ao trapiche, artistas locais animavam as pessoas que aguardavam a chegada da parada. Com todos os carros já estacionados, o palco principal trazia shows de drags, DJs, bandas e depoimentos. No auge das apresentações, por volta das 22 horas, veio a ordem do comando da polícia militar para o encerramento imediato. O motivo alegado foi alguns pequenos incidentes de confusão, ocasionados pelo excesso de bebidas alcoólicas, que rapidamente eram dissolvidos, e pelo pequeno número de policiais na área. Ampliar A indignação dos artistas que já estavam prontos, aguardando sua vez de subir ao palco, foi grande. Mesmo com a insistente tentativa dos organizadores de prosseguir, as apresentações foram rapidamente encerradas. Apesar do súbito encerramento da festa, o grande público que ainda se encontrava no local foi se dispersando inconformado, mas em clima de calma e tranquilidade.

Assim, Florianópolis viu novamente uma bela manifestação cívica, em ritmo de muita música, alegria e tranquilidade. Uma semana de conquistas, discussões, representações culturais e mostrando que todos são iguais. Agora também perante a lei.

Confira também as imagens da parada:
4ª Parada da Diversidade (Fatos & Fotos)
 
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