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Uma janela, pequena e apertada, da alma
Estamos tão isolados, seja por conta da segurança ou da seleção natural ou mesmo falta de tempo. Estamos isolados. Isso é fato. Ao mesmo tempo buscamos refúgio com nossos pares, via internet, por meios eletrônicos. Associamo-nos uns aos outros na ânsia e na necessidade de convivência. E por conveniência, adicionamos aos Messengers da vida, um ou outro. Um possível rosto familiar no meio de uma multidão virtual ensandecida pelo anonimato e pelas trevas da inconsistência. Criamos avatares pseudo-nós, com um pouco de cada personalidade que percorremos ao longo de um dia inteiro. Essa simulação toma forma, nome e age, em muitos tempos e muitas fotos. Traduz a angústia e a necessidade da felicidade tardia. Uma vã esperança de fechar ou abrir os emails pela última vez. Apenas um rosto, uma face e já bastaria. Ao invés, conhecemos indivíduos, individualistas céticos e perdidos, tanto quanto nós. Dialogamos a falta de assunto ou a busca do mesmo, na mesma certeza de que pode haver um igual do outro lado da tela. A irracionalidade é tamanha que nos convencemos de que há caminhos certos e tomamos o errado, insistentemente. Ciclicamente. A cada estação que passa. Eis que quando enquanto perdemos fios, adicionamos rugas e diminuímos o valor dos sentimentos, abrimos a porta que leva ao nada. E todos, inconscientemente, fazem isso ao mesmo tempo. O resultado encontra-se nas listas extensas de endereços eletrônicos, bloqueados, deletados ou inativos. Porque o que faria o coração bater não está em outro lugar se não dentro de nós. Pare e olhe para si. Eu tento fazer isso o tempo todo. Se um de nós dois conseguir, que avise o outro. Por favor. |