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Namorado? Tô fora... ou não?
Por Yenor   
02 de maio de 2009

 E de repente tudo se acaba. Do nada a figura amada parece não te amar mais. Nem parece ser aquela mesma pessoa que você convivia e aprendeu a gostar até mesmo de seus defeitos. Acabou o encanto, o romantismo, o tesão. Dai você se pergunta: “O que houve?” Nada e tudo poderia ser a resposta. Não houve nada que pudesse desfazer o encanto, mas também houve todo o medo e a incerteza da vida cotidiana ao lado de alguém. Medo de apaixonar-se e entregar-se verdadeiramente um ao outro. Medo de ter medo.

Então segue-se mais uma vez na busca por companhia, companheirismo, carinho,  paixão. Ué, e para onde foi aquele medo do envolvimento? Por algum motivo estranho ele some até que retorna e percorre novamente o mesmo caminho em busca do tal afeto que está cada vez mais escondido nas pessoas. Não que haja uma ausência de afeto e sentimentos verdadeiros. Todos parecem buscar a mesma coisa mas não tem coragem ou culhões para admitir. Não se comprometem consigo, com sua felicidade. Diz que quer um namorado, mas não faz por merecer. Diz que não quer namorado, mas no fundo está louco para ser conquistado. Como escreveu Carlos Drummond de Andrade, “Se você não tem namorado é porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos...” Não quer, ou não tem coragem.

Tudo parece muito efêmero, vazio nos dias de hoje. Se conhece alguém, sai algumas vezes, vai para a cama junto várias vezes (ou nem tanto), diz que quer algo sério, mas de uma hora para outra tudo termina. Não se tenta conhecer, aprender, respeitar e conviver com virtudes e defeitos do outro. Em seguida parte-se para uma nova busca, uma nova conquista como se fizesse uma coleção de figurinhas. Faz-se coisas que antes dizia-se contrário. Engana, não ao outro, mas a seus reais sentimentos e suas carências não admitidas. Sofre por uma frustração interior, contida, escondida. E a vida segue, com muita diversão, muita pegação, mas vazia, solitária.

Novamente citando Drummond, “Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.” De uma chance para você mesmo, viva, ame, apaixone-se por si próprio e transmita este amor para outros. Faça a diferença em sua própria vida. Permita-se ser feliz.



Vale um pouquinho de Drummond.
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